Onde outrora entravam veículos e mercadorias, hoje entra a força das ondas. O interior do Pentalina B mostra o avançado estado de corrosão após mais de uma década exposto ao mar de Santiago.

O Espectro Marítimo na Costa de Santiago

Quem percorre a costa leste da ilha de Santiago, perto da pacata aldeia de Moia Moia, depara-se com uma visão cinematográfica: uma carcaça gigante de 74 metros de comprimento que desafia o tempo e o salitre. O Pentalina B, um antigo ferry escocês, é hoje mais do que um monte de ferro corroído; é um ponto de peregrinação para fotógrafos, aventureiros e curiosos de todo o mundo.

Detalhe do casco do Pentalina B encalhado nas rochas. O contraste entre o metal enferrujado e o azul do céu de Cabo Verde cria um cenário dramático que atrai fotógrafos de todo o mundo.

A Noite do Naufrágio: 5 de Junho de 2014

A história deste gigante em solo cabo-verdiano começou com um estrondo na escuridão. Na noite de 5 de junho de 2014, o navio  que servia de ligação vital entre as ilhas encalhou com 85 pessoas a bordo.

Escadas e estruturas que ligavam os diferentes decks de passageiros. Hoje, estas passagens são perigosas e lembram a fragilidade das construções humanas perante a força da natureza.

​Os relatos dos moradores de Moia Moia, como a senhora Maria Moreira, descrevem uma noite de pânico e solidariedade. Enquanto os passageiros saltavam para a segurança, a comunidade local mobilizou-se com roupas e apoio, provando que a Morabeza é mais forte do que qualquer tempestade. Embora todos tenham saído ilesos, o navio nunca mais voltou a navegar.

Da Escócia para o Atlântico: Uma Biografia de Aço

​Construído na Escócia na década de 70, o Pentalina B atravessou o Atlântico para servir Cabo Verde. O que restou hoje são os seus vários andares de carga e áreas de passageiros, agora habitados apenas pela ferrugem e pelo som das ondas.

Curiosamente, o navio tornou-se um exemplo de Turismo de Exploração (Urbex). Viajantes como o espanhol Rodrigo Vasquez, que visitou o local recentemente, descrevem a experiência como “impressionante” pela ausência de turismo massificado e pela crueza da paisagem.

O Pentalina B tornou-se um marco visual para os praticantes de desportos náuticos na costa de Moia Moia, servindo de pano de fundo para quem procura aventura fora dos roteiros massificados.

Um Aviso aos Navegantes e Curiosos

​Embora atraia artistas para videoclipes e turistas para piqueniques, o Pentalina B é agora uma estrutura perigosa. Onze anos depois, a corrosão está a vencer a batalha e partes do casco estão a colapsar.

  • Localização: Perto de Moia Moia, Ilha de Santiago.
  • Como chegar: Cerca de 10 minutos de carro (TT) ou 30 minutos de caminhada a pé a partir da aldeia.
  • Atenção: Recomenda-se cautela máxima ao aproximar-se ou tentar entrar na estrutura devido ao risco de desabamento.

Património ou Destroço?

Para muitos, o Pentalina B é uma mancha ambiental que deveria ter sido removida. Para a população de Moia Moia, é um vizinho que traz visitantes e histórias novas todos os dias. Independentemente da perspetiva, ele permanece como um marco visual inesquecível na nossa costa.

Vista panorâmica do local do encalhe. A apenas 10 minutos de Moia Moia, o gigante escocês repousa na costa leste de Santiago desde aquela fatídica noite de junho de 2014.

Já tiveste a oportunidade de ver o Pentalina B de perto? Conhecias a história daquela noite de 2014? Deixa o teu comentário e partilha as tuas fotos connosco!

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