Mais do que uma estreia nas artes visuais, a nova exposição de Dino D’Santiago na Galeria Underdogs, que abre as portas ao público nesta sexta-feira, 23 de janeiro, é um mergulho profundo na reconciliação histórica através do traço contínuo.
Ao utilizar a tinta da China para desenhar rostos que emergem como memórias fragmentadas, Dino transpõe para o papel a mesma missão que carrega na música: dar voz ao silêncio do trauma transatlântico e celebrar a resiliência da identidade negra.
Este projeto, que nasce do silêncio das madrugadas, transforma o conceito de “pessoa de cor” numa explosão de potência visual, reafirmando que a nossa herança não é apenas uma herança de dor, mas um território vibrante de presença e pluralidade.
Dino D’Santiago (c) Telmo Pereira por Lisboa Amsterdam
A mostra ganha um peso simbólico ainda maior ao inserir-se nas celebrações dos 50 anos de independência de Cabo Verde e dos restantes PALOP, posicionando Dino como um guardião da memória coletiva na diáspora. Ao cruzar o desenho com um programa cultural que inclui cinema e debate, o “Portal do Retorno” — patente até 28 de março — deixa de ser apenas uma exposição contemplativa para se tornar num espaço vivo de escuta. É um convite para que a comunidade se reconheça nestas “memórias incompletas” e ajude a traçar, coletivamente, o futuro da nossa identidade cultural no mundo contemporâneo.
Informações Úteis: A exposição Portal do Retorno inaugura dia 23 de janeiro (19h-21h) e estará patente até 28 de março na Galeria Underdogs, em Lisboa.
Consulta a programação completa de cinema e conversas no site oficial: www.under-dogs.net
Fontes e Créditos: @BANTUMEN, @Galeria Underdogs, e @Dino D’Santiago(Facebook)