(Eugénio) Djenio Semedo tem o seu nome gravado na história da música de Cabo Verde. Com sucessos como “Amor” e “Suzete”, este artista esteve sempre ligado à música desde pequeno, altura em que começou a consumi-la através dos gira-discos. A sua carreira musical foi pautada por momentos marcantes, concertos inesquecíveis e memórias que o tempo jamais apagará.

Quer em Cruz Grande, Angola ou Guiné, quer na Holanda, onde reside, Djenio demonstrou sempre amar a música e usá-la para transmitir valor à nossa cultura, afirmando-se como um dos seus verdadeiros guardiões.
Djenio é um arquivo vivo de Cabo Verde e a prova viva de resiliência e, por isso, hoje trazemos 8 curiosidades sobre este artista que marcará presença no show “NU BAI CABO VERDE”, no próximo dia 7 de Fevereiro, em Roterdão.
O TECLADO NO MEIO DO CAOS
Em 1991, Djenio viajou para Angola para conhecer a família paterna antes de seguir para a Holanda. No entanto, devido à guerra, acabou por ficar retido no país durante 7 anos. Foi nesse cenário de incerteza que adquiriu o seu primeiro teclado profissional, deixando para trás os instrumentos de lata (guitarra e bateria) que fabricava na infância.
O “EMPURRÃO ” DE MICAS CABRAL
O seu início profissional teve um padrinho de peso. Foi graças ao incentivo de Micas Cabral, a quem é grato até hoje, que Djenio teve a oportunidade de realizar o seu primeiro show profissional, acompanhado pela mítica banda guineense Tabanka Djazz, ainda em Angola.
VOZ EM KIMBUNDU
A sua dedicação e ouvido musical chamaram a atenção de empresários angolanos. Durante três anos, integrou um grupo local onde o desafio foi maior: Djenio aprendeu a expressar-se e a cantar em Kimbundu, uma das línguas mais faladas em Angola.
HOLANDA, O LABORATÓRIO CRIATIVO
Ao chegar à Holanda em 1996, Djenio encontrou o ambiente perfeito. No auge da emergência da música cabo-verdiana na Europa, rodeou-se de grandes técnicos e músicos da velha guarda que ajudaram a aprimorar a sua linha musical. Foi lá que, em 2001, lançou o seu álbum de estreia, “Kretcheu”.
O FENÓMENO EM SÃO TOMÉ
A recepção em São Tomé foi histórica. O que era para serem apenas dois shows, transformaram-se em nove. Djenio conseguiu lotação esgotada num estádio habituado a receber apenas os maiores nomes da música mundial, confirmando o seu estatuto de estrela na costa africana.
O REGRESSO DO “MENINO DE LATA”
Um dos momentos mais emocionantes da sua carreira foi em Assomada. Após um show cancelado pela chuva, houve uma enorme mobilização das pessoas e o espetáculo foi remarcado logo para o dia seguinte, apenas através do “boca a boca”. Para garantir que os vizinhos e os mais velhos de Cruz Grande — que o viram crescer a tocar latas — pudessem vê-lo como profissional, o artista alugou cinco Hiaces para transportar toda a gente da sua localidade. O polivalente ficou pequeno para tanta emoção.
PESADELO EM PARIS
Nem tudo foram luzes. Em Paris, Djenio viveu um momento dramático ao lado de Suzanna Lubrano, Beto e Kino. O que deveria ser um show memorável transformou-se num cenário de horror quando uma confusão à porta terminou em tiroteio, resultando na morte de três pessoas. Uma memória de pesadelo que marcou a equipa para sempre.
MENTE SÃ EM CORPO SÃO
Para Djenio, estar em palco exige rigor físico. O artista é um entusiasta do desporto e da disciplina, praticando Karate, Kickboxing e corrida. Além do treino, mantém uma alimentação equilibrada, acreditando que a saúde física é o pilar para entregar o melhor espetáculo aos seus fãs.
Qual a música de Djenio de que mais te recordas e ouves ainda hoje?
Fonte: Entrevista Rádio Alfa
Redação e Adaptação: Cabo Verde Files