Celebrar a memória de um artista que fundiu as raízes profundas de Santiago com a modernidade universal é essencial para manter viva a nossa identidade cultural, e é por isso Vadu é um arquivo da Cabo Verde Files.

O olhar por trás dos óculos, a mente à frente do seu tempo. Vadu, o alquimista que transformou a nossa tradição em diálogo com o mundo.”

Nascido na cidade da Praia, a 31 de janeiro de 1977, Osvaldo Furtado, o nosso Vadu, foi um poeta nato e um guitarrista de mão cheia.

A sua caminhada na música ganhou força em 2001 com o projeto “Ayan“, que serviu de base para uma carreira que viria a renovar o som das nossas ilhas.

Com os discos “Nha Raiz” (2005) e “Dixi Rubera” (2007), Vadu mostrou a Cabo Verde uma música nova e cheia de identidade, tornando-se um dos artistas mais marcantes da sua geração.

A música do Vadu era uma mistura perfeita entre a mística do mundo rural e a vida na cidade. Depois de estudar em Cuba, ele trouxe de lá o gosto pela mistura de ritmos, funcionando como um verdadeiro alquimista das canções: juntava o Jazz com a força do batuque, do funaná e da tabanca.

Além de compor os seus próprios temas, interpretava com uma sensibilidade única as obras de figuras ilustres como Orlando Pantera, Princezito e Tcheka, fazendo com que o som local ganhasse um fôlego universal.

Mesmo com o trágico acidente em Santo Antão em 2010, que nos tirou a sua presença física, o legado de Vadu continua bem vivo.

Ele não foi apenas um músico, foi um visionário que soube ler a alma do nosso povo e projetá-la para o futuro. Hoje, no dia em que faria 49 anos, a sua guitarra continua a tocar no nosso coração, garantindo que o seu talento e a sua visão artística permaneçam eternos na memória de Cabo Verde.

Dixi Ribera” um dos grandes sucessos de Vadu

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