Hoje faz precisamente seis anos que a música cabo-verdiana perdeu a sua maior força da natureza. António Jorge Costa Neto, o nosso eterno Jorge Neto, foi um gigante que carimbou o seu nome nas páginas da nossa cultura. Nascido em São Tomé, filho de mãe cabo-verdiana e pai são-tomense, foi em Lisboa, na Buraca, que teve os primeiros contactos com a música pela mão de Zeca Belo. É curioso pensar que o homem que dominava palcos começou por cantar de costas para o público, com as pernas a tremer de vergonha, porque a sua verdadeira paixão, antes da voz, era a dança.
3/12/1964 – 20/02/2020
A Holanda foi o seu refúgio e o seu trampolim. Fugindo à tropa, foi viver com os irmãos e começou a cantar em bares, representando a nossa comunidade até vencer o “Todo o Mundo Canta” na Praia. Foi o início de uma ascensão que passou pelos Livity — um grupo que começou no Reggae como Coladance, mas que mudou a história da nossa música quando Jorge assumiu o microfone. O álbum “Harmonia” de 1991, com o hino “Rosinha”, deu-lhes uma projeção sem precedentes, embora nos bastidores as zangas internas e as exigências de outros elementos tenham acabado por ditar o fim de contratos importantes e a separação do grupo.
“Kel ki ta da ta da
Kel ké rabeço é pá papia
Kel k sta dreto é bonito”
Jorge Neto viveu intensamente. Entre o sucesso estrondoso e as frustrações de quem sentiu falta de um empresário que o protegesse, ele nunca deixou de ser um homem do povo. Mesmo quando a saúde lhe deu sinais, primeiro em 2014 e depois no golpe final em dezembro de 2019, a sua garra era inabalável. Partiu fisicamente a 20 de Fevereiro de 2020, mas deixou o legado nas mãos do filho, Jorge Neto Júnior, que abandonou o sonho de ser futebolista para honrar a memória do pai.
Foto @JorgeNetoJr.[Facebook]
Recebeu prémios de mérito e de melhor artista em palco, mas o seu maior troféu foi a forma impossível como fazia as pessoas vibrarem. Seis anos depois, vem na memória de todos o iconico grito UAUuuu quando ele atuava… e o vazio de não poder experiênciar a vibração deste senhor em palco… presencialmente. Por isso, e para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de ver ao vivo e a cores o showman, a Cabo Verde Files deixa em baixo um dos momentos de Jorge Neto…
Fonte: @semtruques @rtc
Redação e Adaptação: Cabo Verde Files
NH’OPINION NA LÍNGUA DI TERRA
Jorge Neto é figura sem igual de cultura di Cabo Verde. Nunca sisti si show, mas na kes pokus vezes ki n’kontra kol na Damaia, na si Citroen C3 Preto, ou a pé, sempre é mostra kel carisma e um arguem super acessível. Kel “briu” di apresenta na palco tá mostra modi ké ta viveba música e Oras ki Gil Semedo, Beto Dias, Kino Cabral, Calema, e Otus grandes nomes ta fala del ta da pa xinti si energia. Ta flado ma arguem tá morri oras ki nu dexa di papia del, dexa di recordal, por isso, cultura e propi povo ki foi sempre suporte di Neto ka ta dexal ser esquecidu. Si músicas ki mi Djan fora kanto bez I Bo tambe kela ki ta tornal eterno.