Muita gente já chorou com as músicas dele, e percebe-se porquê: a vida do Tony Fika sempre foi vivida à pressa e com muita emoção. Aos 16 anos já era pai, aos 17 já vivia acompanhado e aos 23 já carregava o peso de uma separação.
Mesmo com este historial intenso, ele continua a ser um artista “Pé na Txón” e um romântico assumido. Não é à toa que toda a gente o quer para um featuring.
Natural de Saltos, em São Miguel, o Tony (que herdou o “Fika” da mãe) já caminha a passos largos para os 20 anos de carreira. Com o mestre Kino Cabral como ídolo, ele construiu o seu próprio caminho e, mesmo com 5 álbuns lançados, mantém a humildade de quem sente que ainda tem muito para evoluir.
O percurso dele não foi feito só de palcos; houve muito suor pelo caminho e estes momentos provam isso:

O CHOQUE DA COVA DA MOURA
Tony Fika deixou Santiago com 14 anos para viver com o pai em Portugal. Na Cova da Moura, a escola ficou para trás no 8.º ano, porque a realidade do bairro e as novas responsabilidades chamaram-no para a vida de adulto mais cedo do que o esperado.
A LIÇÃO DE HOMEM DADA PELO PAI
Aos 15 anos, Tony envolveu-se com uma menina de 14 anos que acabou por engravidar. O pai, ao saber da notícia, não passou a mão na cabeça e disse-lhe algo que o obrigou a crescer:
“Bo é omi pó poi Mudjer prenha, ntom bo é omi pa bu trabadja pó da mininu comida”
Fruto dessa paternidade precoce, Tony Fika teve de encarar a realidade e assumir as consequências desde cedo para garantir o sustento do filho.
DAS OBRAS PARA O BAR COQUEIRO
Antes do brilho dos palcos, houve calos nas mãos. O seu primeiro trabalho foi a limpar vidros e depois enfrentou a dureza das obras. Mas a música, herdada da mãe que cantava Batuque, falava mais alto. Foi num “atrevimento” de improviso no Bar Coqueiro que ele soltou a voz e percebeu que o seu destino estava traçado.
A ALIANÇA COM “Duku dja Bem”
Ninguém cresce sozinho. O grupo “Duku dja Bem” foi o grande aliado na sua projeção, numa altura em que o Funaná e o Batuque batiam forte. Foi ali que criou ligações com nomes como Kidy, Tony Mamaidoka e Zé Luís, ganhando o balanço que o levaria ao topo.
INCONFORMADO, MESMO COM 5 ÁLBUNS
De Brinka Bunitu, Sima Nos, Obrigado, Akredita até ao recente Tudo é Possível (2024), Tony já lançou cinco discos. Para ele, este último é o da sua consagração, mas a sua exigência é tanta que ele confessa que ainda tem muito para evoluir.
O SONHO SAGRADO DA MORNA
Tony já provou que domina vários estilos, e confessa que quer aventurar-se no nosso Património Imaterial, mas só quando sentir que tem o conhecimento necessário para honrar a responsabilidade que o género exige.
Fonte:@SemTruques @KlavKrioluRTC
Redação e Adaptação: Cabo Verde Files