Na Passada Sexta Feira, 28 de Novembro, Hélio Batalha disponibilizou no seu canal de Youtube o videoclip “NHA PRETA”. Para este lançamento, o Rapper de Ponta d´agua (Praia), que atualmente trabalha no seu próximo álbum (TESTAMENTO), contou com a colaboração melódica de Garry, apontado como uma das grandes vozes da atualidade.

O QUE OUVI (MÚSICA)
Uma fusão de dois artistas distintos, num instrumental dançante(afro). Hélio Batalha sem nunca perder a essência da mensagem nas letras e Garry com a melódica performance que o público já conhece.
REFERÊNCIAS
Entre outros destaques que estão a perder-se do quotidiano crioulo como… “Bu ta mordi mo dundu”; ou “Bô é forti mo grogu” , muito por culpa de influências culturais, destacamos aqui:
“SI FORMIGA GOSTA KI FARI BATALHA”
Parece uma referência à música do cantor Blik Tchutchi que tem o nome “KU FORMIGA KU TUDU GOSTA”
“KAMOKA_FERRO GAITA_ É DI MUNDO MA MI É DI NHA DAMA”
A citação do estilo Kotxi pó e ao icónico grupo Ferro Gaita, demonstram o peso que ambos tem na cultura. A comparação proposital feita entre a música e a Mulher, dá a entender que uma música/artista quando faz sucesso além fronteiras, passa a ser de todos que a consomem. Portanto, dizer “Mi é di nha Dama” traz a certeza de que um homem feliz não precisa de mais ninguém, mas também, ao mesmo tempo, abre a reflexão sobre a armadilha do mundo da fama e dos holofotes que facilmente atraem para uma vida dupla e de mistérios.
“DAN KU PO BU PON NA KAMINHO”
Aqui, ao que tudo indica, é uma celebração do tema “PRETA” de Vadu, artista caboverdiano que faleceu em 2010. Ou também uma homenagem àquele que cantou “AMI DJAN KRE, UM PRETA MODA BO. PA DAN KU PO PA PON NA CAMINHO, KÉ PA JUIZ TOMA NA MI”. Aliás o refrão da musica do rapper tem muito este sentido de tributo.
“NHA PRETA”
A repetição desta frase é, sem dúvida, a meu ver, a urgência de aprofundar ainda mais as raízes africanas. O homem é convidado a exaltar a melanina da “sua preta”, uma questão de identidade e afirmação histórica e cultural. A mulher, alvo de tanta submissão, é aqui desafiada a ter coragem de se aceitar, e nunca querer se enquadrar nos padrões de beleza que arrancam dela a luz natural da liberdade.
O QUE VI (VIDEO)
O cenário reforça a igualdade do género e parceria na relação quando vemos o homem participando nas tarefas domésticas, quebrando assim, com a hierarquia machista imposta desde sempre no contexto social.
A presença de cores fortes (verde, amarelo, verde) traz a aura de alegria que combina com a mensagem, e, juntamente com o vestuário usado e o brilho das “modelos”, o vídeo traz a celebração da beleza africana.
Ida ao ginásio, praia e o carro de presente, mostra que quando existe empenho dos dois lados e a preocupação em ser um casal melhor, tudo se encaixa em harmonia.
PERSPECTIVA FINAL
A parceria Hélio Batalha & Garry deixa claro a importância de artistas de géneros diferentes se unirem. Mais do que a manifestação de orgulho pelo tema, a música consegue passar a mensagem de esperança, positividade, amor e compromisso numa altura em que o feminicídio ganha forças em Cabo verde e na diáspora. Esta é a responsabilidade dos artistas.