Embora André Ventura tenha ‘ capitalizar o descontentamento dos portugueses residentes no estrangeiro com promessas de maior representação e críticas ao sistema, os resultados da segunda volta mostram que o “voto da saudade” funcionou como um travão às suas aspirações presidenciais.
1. A Mobilização contra a Retórica Radicall
A derrota de André Ventura entre os emigrantes pode ser explicada pela perceção de risco. Muitos portugueses que vivem em países como França, Alemanha ou Luxemburgo sentem na pele o que é ser imigrante. A retórica mais dura do Chega sobre imigração e as tensões na União Europeia geraram um efeito de “boomerang”:
- O medo da instabilidade: para quem vive fora, a imagem de estabilidade de António José Seguro foi vista como uma garantia de que Portugal manterá boas relações com os países de acolhimento.
- A rejeição do isolacionismo: as propostas que sugeriam um afastamento dos valores europeus tradicionais não ressoaram com uma diáspora que depende da livre circulação.
2. Logística e a Tempestade Kristin
O voto dos emigrantes foi também condicionado pelo contexto global e local. Enquanto em Portugal a Tempestade Kristin dificultava o acesso às urnas, nos consulados pelo mundo fora, a afluência foi marcada por um sentido de urgência em “decidir o destino do país” num momento de polarização.
3. O Fim do Mito da “Maioria Silenciosa” no Estrangeiro
Ventura contava com uma vitória nos círculos da emigração para equilibrar os resultados dos grandes centros urbanos em Portugal. No entanto, os dados indicam que:
- Seguro conseguiu captar o voto útil dos moderados que, na primeira volta, se tinham dispersado por outros candidatos de direita e centro-direita.
- A abstenção no estrangeiro, embora historicamente alta, diminuiu entre os eleitores mais jovens da diáspora, que votaram predominantemente contra a plataforma de Ventura.
Conclusão: Um Aviso à Direita Radical
A derrota no círculo da emigração envia uma mensagem clara: os portugueses, mesmo longe, preferem um modelo de “ponte” representado por Seguro a um modelo de “rutura” proposto por Ventura. Para o blogue, este ponto serve para mostrar que Portugal continua a ser um país de diáspora que valoriza o equilíbrio diplomático.