“Ventura: O Presidente da Diáspora que Falhou o Palácio de Belém”
Um dos pontos mais curiosos desta campanha foi a forma como André Ventura conseguiu ser, simultaneamente, o candidato mais crítico da imigração em Portugal e o mais votado pelos emigrantes portugueses no estrangeiro.
1. A Estratégia: Distinguir o “Nós” do “Eles”
Durante a campanha, Ventura manteve uma distinção clara no seu discurso:
- Emigrantes Portugueses: Tratou-os como “heróis da pátria” que foram expulsos pelo sistema. Prometeu “ir buscar cada um deles” e dar-lhes voz, o que explica a sua vitória esmagadora nos consulados na primeira volta (com cerca de 41% dos votos no estrangeiro).
- Imigrantes em Portugal: Aqui o tom foi de “mão dura”. Defendeu o controlo rigoroso de fronteiras, o fim de subsídios para quem “não cumpre regras” e a expulsão de quem está ilegal.
2. E agora, com a derrota?
Com a vitória de António José Seguro, o discurso de Ventura deverá focar-se em dois eixos para manter a sua base:
- Vítima do “Sistema”: Ele já começou a afirmar que a eleição foi “injusta” devido à Tempestade Kristin, alegando que o não adiamento da votação criou “portugueses de primeira e de segunda”.
- A “Voz da Diáspora”: Ventura vai usar o facto de ter vencido no estrangeiro para dizer que quem está fora e vê Portugal de longe quer a mudança que ele propõe, enquanto quem está cá está “refém” do centrão político.
3. O que isto significa para o seu Blog?
Pode argumentar que a derrota de Ventura não é o fim da sua influência. Pelo contrário, ele sai destas eleições com um “selo de aprovação” das comunidades portuguesas no Brasil, Suíça e Luxemburgo.
Análise: O desafio para o novo Presidente, António José Seguro, será governar um país onde quem está fora parece querer um caminho radicalmente diferente de quem está dentro.