No mais recente episódio do podcast Klav Kriolu, o artista Rahiz (anteriormente conhecido como Celso Pipi) partilhou uma conversa de quase uma hora sobre a sua metamorfose artística, a sua linhagem sanguínea com lendas da música e a sua visão crítica sobre a identidade de Cabo Verde na era digital.

1. Do Rap de Bairro à Espiritualidade de “Rahiz”

Rahiz explicou o processo de rebranding que o levou a abandonar o nome Celso OPP em 2013/2014. A mudança não foi apenas estética, mas espiritual:

  • A Etimologia do Nome: Rahiz explicou que o nome combina RA (Deus do Sol), H (energia de união) e IS (energia feminina/Ísis). É um nome desenhado para vibrar numa frequência mais alta, afastando-se da “energia densa” do Rap de bairro que praticava nos anos 90.
  • A Empresa Raiz de Terra: Para além da música, Rahiz é um empreendedor que vê na “terra” a base de tudo, conectando a sua identidade africana com a sua base em Portugal.
Imagem de Podcast Klav Kriolu, Com o artista Rahiz

2. Sangue Real: O Sobrinho-Neto de Luís Morais

Uma das revelações mais fortes do podcast foi o detalhe da sua linhagem familiar. Rahiz não é um artista “por acaso”:

  • Linhagem de Gigantes: Rahiz confirmou que é sobrinho-neto do lendário Luís Morais (pelo lado materno) e tem parentesco com Bius.
  • Herança Genética: Ele descreveu a música como algo que “tem no sangue”. Mencionou que, embora tenha começado no Hip Hop e tocado flauta aos 14 anos, a sua sensibilidade artística é uma herança direta dos grandes mestres da música de Cabo Verde.

3. O Projeto “Covers” e a Língua Crioula como Hino

Rahiz alcançou um sucesso massivo com as suas interpretações de sucessos internacionais em Crioulo.

  • Desafio Artístico: O objetivo não foi apenas traduzir, mas manter a fonética e a melodia originais, de modo que um estrangeiro possa confundir a versão crioula com a original.
  • Cabo Verde como Língua Cantante: Rahiz usa estes projetos para provar ao mundo que o Crioulo é uma língua de diálogo global e de extrema musicalidade.
  • “Feita em Cabo Verde”: mencionou o sucesso de temas como o remake de Melanin (Sauti Sol), que se tornou um hino para as mulheres crioulas.

4. Crítica à Indústria e a “Falta de Identidade”

Rahiz não poupou críticas ao estado atual da música africana e cabo-verdiana:

  • Música de Festa vs. Música de Celebração: O artista fez uma distinção profunda. Para ele, a música ancestral africana era liderada por “xamãs e líderes espirituais” para cerimónias, não para mero entretenimento vazio.
  • O Perigo das Modas: Rahiz alertou para a falta de identidade na nova geração, que muitas vezes copia o que vem de fora sem filtrar a essência. “A cultura, se for defendida tempo suficiente, acaba por trazer dinheiro, mas o foco deve ser a verdade”, afirmou.

5. A Experiência em Gamboa: Entre o Caos e o Triunfo

Rahiz recordou a sua atuação no Festival da Gamboa (2023) como um dos momentos mais difíceis e marcantes da sua carreira:

  • Condições Adversas: Entrou em palco às 3 da manhã, sem a sua equipa técnica, sem as suas imagens no ecrã e com uma organização deficiente.
  • Resiliência: Apesar de tudo, o público rendeu-se. “Se aquilo corresse mal, nunca mais entrava aqui”, confessou, destacando que a sua força vem de enfrentar injustiças e opressões de frente.

6. O Próximo Passo: Álbum e Independência

O artista está a preparar um novo trabalho para 2025/2026, trabalhando com produtores como Mark G e M&M Pro.

  • Independência Total: Rahiz reafirmou a sua posição como artista independente. Recusa prender-se a labels que o tentam calar ou moldar.
  • Colaborações: Embora prefira a pureza da obra individual, mencionou estar aberto a colaborações que tenham “energia” e não apenas “views”. Mostrou admiração pelo trabalho de Bachart, pela sua identidade vincada.

7. Referências e Musas

  • Bob Marley: Citado como o seu grande patrono e influência maior.
  • Cesária Évora: Rahiz revelou que ouve constantemente o álbum Miss Perfumado, buscando a essência que falta na música atual.
  • As Musas: Rahiz escreve sobre a sua realidade. Se a música é de amor, é sobre a pessoa com quem está; se é de intervenção, é sobre uma briga ou injustiça que viveu.

Conclusão (Cabo Verde FILES)

Rahiz é um artista que recusa as caixas da indústria. Entre o ‘Reggae’, o Zouk e o Hip Hop, ele procura a “Vibração Positiva”. Como ele próprio define: “A música para mim é como o ar, o sol e a água”.

Assista à conversa na íntegra: Klav Kriolu com Rahiz – Episódio Completo

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