A revolução de Mynda Guevara não começou num palco iluminado, mas no silêncio de quem trabalhava oito horas ao balcão de um restaurante para sustentar o sonho.

A “leoa” da Cova da Moura não carrega o apelido Guevara por acaso; foi buscá-lo à história para dar poder à sua própria voz: a de uma mulher negra a ditar as regras no rap.
Entre as tatuagens que clamam por vitória e a coragem de assumir a identidade que o bairro lhe deu, Mynda transformou o cansaço em combustível. Hoje, ela é o eco de uma herança que atravessa o mar e se afirma com a garra de quem sabe exatamente de onde vem.
Confira em baixo as curiosidades da Rapper, filha de Pais Caboverdeanos, que nasceu no bairro Cova da Moura, Amadora, em 1996.
A LÍNGUA DA ALMA
Para Mynda, o Português serve para comunicar, mas o Crioulo é onde mora a sua verdade. Ela recusa-se a esconder a sua identidade e faz questão de que o público sinta a energia da sua mensagem, mesmo antes de entender todas as palavras.
A FORÇA DA SOBREVIVÊNCIA
Mynda começou cedo, com apenas 13 anos, a emprestar a sua voz para fazer refrões para outros rappers. Mais tarde, colaborou com vários artistas locais e chegou a formar uma dupla com o rapper Ridel. No entanto, quando o parceiro emigrou, Mynda não deixou o microfone cair e decidiu começar a escrever os seus próprios temas e a dar voz às suas experiências num mundo dominado por homens. “Mudjer na Rap” foi a sua primeira música lançada em 2014.
MARKETING COMO FERRAMENTA
Mynda não deixou a carreira ao acaso. O seu curso de Marketing e Comunicação deu-lhe o conhecimento necessário para lidar com a indústria da música, provando que o talento da rua fica ainda mais forte quando é acompanhado pelo estudo.
CRIATIVIDADE NA NOITE
O seu processo de escrita é feito em isolamento. É no silêncio da noite, longe da confusão do dia a dia, que a sua criatividade ganha vida e as suas rimas se transformam em mensagens poderosas.
INFLUÊNCIA DOS GRANDES
Na sua música não há lugar para temas vazios. Com influências de nomes como Valete, Mynda segue a linha do rap que educa, que faz perguntas difíceis e que exige consciência de quem ouve.
A LUTA DOS 200%
A Rapper tem consciência que ser mulher no rap exige um estado de alerta constante. Mynda afirma que tem de trabalhar o dobro, ou o triplo, para garantir o mesmo respeito e os mesmos pagamentos que os homens recebem.
LIGAÇÃO ÀS RAÍZES
A sua relação com Cabo Verde vai muito além da música. Mynda adora ver documentários sobre a história e a cultura cabo-verdiana, garantindo que a sua voz tenha sempre uma base forte e orgulhosa do seu passado.
O CONCERTO QUE FALTA
É a grande meta da sua carreira. Embora já tenha atravessado o oceano para cantar no Brasil, o palco de Cabo Verde continua a ser o seu maior desejo. É o concerto que falta para unir, de vez, a sua música à sua terra de origem.
Fonte: Entrevista New in Amadora
Redação e Adaptação: Cabo Verde Files