A trajetória de Vadu Rodrigues representa uma rutura necessária com o passado, onde a imagem de África era frequentemente moldada por perspetivas externas e limitadoras. Ao abandonar a Engenharia Informática para se dedicar à fotografia, o artista cabo-verdiano assumiu a missão de documentar o continente sob uma ótica de celebração e dignidade. Através do seu olhar, África deixa de ser vista apenas pelo prisma da carência para ser reconhecida como um polo vibrante de criatividade, onde a moda, o quotidiano e a tradição se fundem numa narrativa visual sofisticada e contemporânea.

O projeto “Positive Africa” funciona como o eixo central desta transformação, servindo de ferramenta pedagógica para quem deseja conhecer o continente para além dos estereótipos. O fotógrafo utiliza a estética não apenas como um fim artístico, mas como um ato político de afirmação identitária. Ao capturar a essência de diferentes nações africanas, ele preenche o vazio de conhecimento que muitas vezes existe até entre os próprios africanos da diáspora, promovendo um reencontro com as raízes que é, simultaneamente, um convite ao mundo para ver o continente com novos olhos.
Na entrevista cedida à revista Bantumen, Vadu destaca que o conhecimento real sobre África passa obrigatoriamente pelo protagonismo dos seus próprios narradores. Defende que a “verdade” de um território reside na capacidade de quem lá vive — ou de quem a ele pertence — em contar a sua própria história sem filtros paternalistas. Ao consolidar a sua carreira internacional, ele prova que a sensibilidade cabo-verdiana é uma ponte poderosa para a compreensão da complexidade africana, estabelecendo um padrão de excelência que valoriza a herança cultural e projeta um futuro de autonomia visual.

Segue o link para acompanhar a entrevista na íntegra
https://www.bantumen.com/en/artigo/vadu-rodrigues-entrevista/