Nesta conversa de 1h45m no Bocadurna, Alberto Koenig apresenta um diagnóstico cru sobre Cabo Verde. O músico expõe a estratégia do “pão e circo” — onde a distração e a barriga “mais ou menos” cheia servem para evitar que o povo questione a política. Citando Fidel Castro, ele recorda que “um povo culto é o único povo livre”, denunciando como o desinvestimento na cultura e na literacia democrática é uma ferramenta de controlo para manter os cidadãos passivos e dependentes.

Foto: @Bocadurna[captura de tela]
Apoiado numa vasta enciclopédia artística — que atravessa a literatura, as artes plásticas e o cinema, tanto nacional como internacional — Alberto critica os media e os festivais que trocaram a educação pelo entretenimento vazio. O ponto mais forte foca na “síndrome do bom aluno”: uma juventude moldada para ser obediente, que prefere o brilho das redes sociais à intervenção real nas ruas. Para ele, o medo de represálias criou um “teto de vidro” que silencia quem tenta usar a arte como arma de consciencialização, transformando a indignação num fenómeno meramente digital e inofensivo.
A solução, defende, passa pela responsabilização coletiva e pelo movimento “Di Povo pa Povo”. Alberto recusa a ideia de que o Estado deve resolver tudo, apelando à autonomia do cidadão para que o político seja visto como um servidor e não como um chefe. Para o artista, a arte é necessária e tem como principal objetivo a perspectiva porque oferece um futuro alternativo; a música, em particular, funciona desde sempre como uma ferramenta política ativa capaz de desenhar o amanhã.
Acompanha esta conversa necessária através do link
👇🏾Artigo Relacionado 👇🏾