A trajetória de Augusto “Gugas” Veiga, iniciada nos palcos improvisados do hip-hop em 1994 e consolidada em décadas de gestão ao lado de ícones como os Ferro Gaita, serve hoje de bússola para a nova política cultural de Cabo Verde. Nesta conversa de quase uma hora, o ministro da cultura e das indústrias criativas detalha como o país deixa de encarar a arte como um mero acessório de lazer para a posicionar como um setor económico estratégico e formalizado, tendo como peça central o Estatuto do Artista para garantir direitos previdenciários e dignidade profissional à classe.

Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde
Foto:Captura de Tela @Bocadurna
A grande viragem desta gestão reside na substituição do modelo de “Estado-Pai” pelo “Estado-Sócio”, onde o foco não é a assistência, mas a criação de um ecossistema sustentável. Veiga aborda criticamente a organização dos festivais, defendendo uma separação clara entre a política e a produção técnica, ao mesmo tempo que convida o setor privado a assumir o protagonismo na gestão de eventos. O objetivo é transformar a efervescência cultural cabo-verdiana num produto turístico e económico rigoroso, capaz de gerar autonomia financeira para os criadores.

No campo da memória, a entrevista explora o equilíbrio entre a preservação do legado colonial e o investimento em marcos de resistência africana, como a Aldeia de Rebelados. Ao traçar este panorama, Gugas Veiga reforça que a cultura é o maior ativo estratégico da nação, funcionando como uma ponte entre o território e a vasta diáspora. É uma visão de futuro que aposta na investigação científica e na economia criativa para garantir que a identidade nacional seja, simultaneamente, preservada e rentabilizada num mercado globalizado.
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