Considerado por muitos um “rapaz prodígio”, visionário e mestre absoluto, Paulino Vieira é a mente brilhante que revolucionou a morna e a coladeira. Se Cesária Évora deu o rosto à música de Cabo Verde no mundo, Paulino Vieira desenhou e gravou a sua alma instrumental.

Ficha Técnica do Artista
- Nome de Nascimento: Paulino de Jesus Santos Vieira
- Data de Nascimento: 31 de Agosto de 1956
- Naturalidade: Praia Branca, Ilha de São Nicolau, Cabo Verde
- Géneros Principais: Morna, Coladeira, Fusão (Jazz, Soul, Reggae)
- Instrumentos: Multi-instrumentista (Harmónica, Piano, Violão, Clarinete, Cavaquinho)
Biografia e Percurso Musical
A Infância e o “Rapaz Prodígio”
Nascido em São Nicolau numa família de fortes tradições musicais, Paulino Vieira aprendeu a tocar violão, cavaquinho e violino ainda em criança, acompanhando o seu pai em serenatas. Aos 9 anos, mudou-se para a ilha de São Vicente para estudar no conceituado Colégio dos Salesianos, em Mindelo. Foi ali que a sua genialidade precoce explodiu, ganhando rapidamente a alcunha de “rapaz prodígio” pela facilidade com que dominava qualquer instrumento de sopro, teclas ou cordas.
A Diáspora e a “Voz de Cabo Verde”
Depois de dar os primeiros passos com o grupo juvenil The Kings, Paulino recebeu um convite que mudaria a sua vida e a história da música crioula: o mestre Luís Morais convidou-o a mudar-se para Lisboa em 1973. Na capital portuguesa, Paulino juntou-se a Bana e Luís Morais para integrar a nova e lendária formação do grupo Voz de Cabo Verde.
A partir de Lisboa, Paulino Vieira estabeleceu-se como o produtor e arranjador mais requisitado de toda a diáspora africana na Europa durante as décadas de 70, 80 e 90, trabalhando com quase todos os grandes nomes da música lusófona.
O Legado e a Revolução Musical
“Eu só utilizo a música para chegar às pessoas. A música é como se fosse a minha enxada de trabalho.” > — Paulino Vieira
A grande revolução de Paulino Vieira foi a forma como fundiu a sofisticação harmónica de géneros como o jazz, a soul e o reggae com a cadência tradicional das ilhas de Barlavento. O seu trabalho atingiu o pico da aclamação mundial ao produzir, dirigir e criar os arranjos do icónico álbum Miss Perfumado (1992) de Cesária Évora, introduzindo um cosmopolitismo e um “groove” arrastado que colocaram a morna no mapa da World Music.
Conhecido pela sua personalidade indomável, espírito livre e por vezes avesso ao lado comercial da indústria discográfica, Paulino Vieira retirou-se frequentemente dos palcos para viver a sua música de forma mais pura e espiritual, tendo regressado em 2023 para concertos de celebração históricos.
💿 Discografia de Destaque
- 1975 – Bana e Paulino Vieira (VCV)
- 1978 – São Silvestre (DMC)
- 1984 – M’cria ser poeta (DMC) – Reeditado em CD em 1996
- 1996 – Nha Primeiro Lar (Lusafrica)
- 2007 – Recordança (Edição do Artista)
🏆 Prémios e Distinções
- Reconhecimento Nacional: Considerado um dos maiores embaixadores culturais e “mestre de todos os tempos” por gerações de músicos cabo-verdianos (como Tito Paris e Kikas Silva).
- Impacto na Morna: O seu trabalho foi fundamental para a valorização e consequente elevação da Morna a Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.





