Numa entrevista exclusiva ao podcast PODBEM, um dos maiores ícones da música lusófona, Juka, abriu o coração sobre a sua carreira, desde os tempos de bailarino até ao sucesso estrondoso de “Alô Cherry”, e celebrou o seu regresso aos palcos cabo-verdianos.
Dos Passos de Dança às Obras de Construção
Antes de conquistar as tabelas de vendas, Juka começou no mundo das artes através da dança. Influenciado pelo desporto e pelo ambiente dos bairros periféricos de Lisboa, integrou o grupo Irmãos Verdade como bailarino, chegando a pisar o mítico palco do Olympia, em Paris.
Curiosamente, foi enquanto trabalhava na construção civil, como pedreiro de “segunda mão”, que a inspiração para a música surgiu. Juka recorda com humor como equilibrava a espátula com o gravador: “Na obra, em cima da chapa, começava: ‘as minhas mãos não são culpadas…’. Gravava ali mesmo o rascunho em cassete”.
O Fenómeno “Alô Cherry” e a Amizade com Jorge Neto
O lançamento do seu primeiro disco em 1992 mudou tudo. O tema “Alô Cherry” tornou-se o seu cartão de visita mundial. Com o sucesso, vieram as viagens e as parcerias inesquecíveis, destacando-se a relação de “irmandade” com o eterno Jorge Neto.
Juka relembrou as digressões conjuntas pelos Estados Unidos e a convivência próxima: “Viajávamos no mesmo avião, ficávamos no mesmo apartamento… a nossa convivência era brutal”. A cumplicidade entre os dois era tanta que, em muitos festivais, a presença de ambos era obrigatória para o público.
O “Dever” de Cantar em Crioulo
Apesar de ser conhecido pelas suas misturas de português e espanhol uma fluência que diz vir naturalmente do “feeling” musical Juka sentiu a necessidade de homenagear Cabo Verde na língua local. Foi assim que nasceu a sua participação no projeto Verão 2005 com o tema “A Sério”, escrito por Tó Mimosa.
“Tive o dever de buscar um bocadinho da língua e, até hoje, essa música é um sucesso que o público não esquece”.
O Regresso e o Novo Álbum: “Me Leva Só”
Após algum tempo de ausência dos grandes festivais em solo cabo-verdiano, Juka regressou recentemente para um evento privado a convite da empresária Lena Tavares, desfazendo rumores de que seria difícil contactá-lo. “Dizem que é difícil falar com o Juka, mas estou à distância de uma mensagem no Facebook ou WhatsApp”, esclareceu entre risos.
O artista aproveitou para promover o seu novo trabalho discográfico, intitulado “Me Leva Só”. O álbum conta com 11 faixas, das quais algumas já estão disponíveis no YouTube, como “Ibebe” e o tema que dá nome ao disco.
O Segredo da Longevidade
Questionado sobre como mantém a mesma aparência e energia de há décadas, Juka não hesitou: a dieta africana. Entre o funge de Angola, o calulu de São Tomé e a cachupa de Cabo Verde, o artista mantém as suas raízes bem presentes no prato e no coração.
Juka termina a entrevista com uma promessa de voltar em breve, não só para cantar os clássicos que todos amam, mas para apresentar a sua nova fase musical a uma comunidade que, segundo o próprio, representa 95% do seu sucesso.
Assista à entrevista completa aqui: JUKA fala sobre regresso a Cabo Verde – PODBEM Nº49