Houve um tempo em que dois povos caminhavam sob o mesmo estandarte, partilhando as cores de uma luta que ainda ecoa na memória do Atlântico. Quem olhasse para os símbolos destas nações, até 1992, encontraria quase um espelho: um design comum, forjado no calor da libertação e na promessa de um destino unido que, na altura, parecia indissociável.


A herança visual de Guiné-Bissau e Cabo Verde encontra a sua matriz na luta política do PAIGC. O estandarte do partido não foi apenas uma inspiração, mas o referencial que guiou a autodeterminação destas nações.
A realidade é que, durante anos, a identidade visual de Cabo Verde e da Guiné-Bissau foi praticamente a mesma, fruto da história partilhada pelo PAIGC. Mas o que levou um destes países a redesenhar a sua história visual num só dia, rompendo com o passado para criar uma identidade única que hoje todos reconhecemos?
Para Cabo Verde, a história exigia um horizonte que fosse puramente nosso, e a revisão constitucional desse ano(1992) desenhou o manifesto de identidade que hoje hasteamos, mas que nunca “desliga” da Guiné.
O azul que domina o olhar não é apenas pigmento; é a imensidão do céu e o abraço do mar que nos define. No centro deste oceano, dez estrelas douradas formam um círculo perfeito: as nossas dez ilhas, unidas numa geometria de igualdade onde nenhuma é maior que a outra, mas todas fazem parte do mesmo pulsar.
A atravessar este azul, o branco traz a paz que o nosso povo escolheu como caminho, enquanto o vermelho marca o esforço e o sangue de quem ergueu esta nação. É uma bandeira que nasceu da fraternidade africana, mas que floresceu numa identidade única.
Fonte: @governo.cv @PolígrafoÁfrica
Redação e Adaptação: Cabo Verde Files
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