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Olhando para “SPEDJU” de Elida Almeida|Análise e Opinião

Análise profunda do novo álbum “SPEDJU” de Elida Almeida. Um trabalho íntimo que explora a maternidade, tradição e o despertar feminino através de 13 faixas marcantes.
Redação Cabo Verde Files Há 8 meses(Última atualização:Há 7 meses) 6 minutos lidos 114 visualizações
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Elida Almeida é, sem dúvidas, uma das vozes que marcam a nova geração da música tradicional de Cabo Verde. A artista não se limita a carregar rótulos, mesmo quando é apelidada por muitos como a “Nova Cesária Évora“.

São imensos palcos levando a tradição e a caboverdeanidade, cinco álbuns, um EP e uma trajetória construída com dedicação e entrega.

E é por isso que este lançamento merece o selo Cabo Verde Files.

Em “SPEDJU”, ela afirma que “enquanto nascia uma filha, nascia um álbum”. Olhando para este trabalho, nascem em nós perguntas sobre a maternidade, mas recordamos que ela já tinha cantado “N’ta Consigui” lá atrás, deixando a mensagem de que, quando se quer muito, é possível.

Lançada numa sexta feira 13, com 13 faixas(sendo Kumbosa e Baca Brabu não autorais) e dois dias antes de completar 33 anos, a artista de Pedra Badejo (Santiago) , com mais de uma década de carreira ,trouxe coincidências a mais mas nunca este dia será lembrado como o dia de azar.

Assim como o solo fértil que vimos recentemente com Zul Alves em “Txon”, onde o corpo da mulher se torna o canal para a arte e para a vida, Elida utiliza este disco como companhia da sua evolução corporal.

SPEDJU, não como um instrumento de vaidade, mas como “um olhar para dentro” para apresentar medos, fragilidades, forças, angústias e verdades.

“Durante o tempo da gestação nasceu “SPEDJU”. Um disco criado em paralelo com uma vida, onde a maternidade e a criação artística caminham lado a lado” Foto e Descrição: @Elida Almeida [Facebook]

Curiosamente, Elida escolheu dar o pontapé de saída deste projeto começando a estreia “pelo fim”. A faixa “Nka ta Pasa” (13), que encerra a tracklist, foi o primeiro cartão-de-visita com as Freireanas Guerreiras. Ali, revivemos os “bate-bocas” do mercado com expressões como “Djoben, infanhin, ingulin ti ka bu kuspin”. A mãe de Elida foi vendedora em mercados e a artista cresceu neste ambiente vibrante, cuja força ancestral se liga a “Funa ku Nana”, um funakous onde a “gaita conloia ku ferrinho pa ponu na Boca di mundo”, celebrando o estilo revolucionário que nos define.

Capa do Álbum “SPEDJU”
Foto: @ElidaAlmeida[Facebook]

A harmonia do álbum revela-se nos diálogos e na coragem de expor o íntimo. Em “Fidju Pididu”, exalta-se a chegada de um filho contada pelos pais, a crença na natureza, e como os nossos mais velhos viviam este momento, enquanto em “Daddy” (feat. Nancy Vieira), celebra-se a importância do pai presente na construção de valores: “Mama bistim nha midjor ropa ki mi ma daddy ti ta ba da um Volta”.

Mas a Elida não foge dos temas pesados; em “Cancer”, ouvimos um grito de esperança e revolta contra uma doença “sumulado” que interrompe amores e vidas: “Oh cancer Ti ki dia ki omi tá durbabu. Ti k dia ki noz k ta enterrabo”.

Já em “Numpasu”, ela assume-se “mãe leoa” que não troca a sua “tripa di barriga” por homem nenhum que não aceite o seu filho. Esse “olhar para dentro” traz também maturidade nas relações. Em “Auto-golu”(segunda faixa com vídeo até o momento), mostra-nos que o orgulho não faz a equipa vencer. Aqui, a metáfora do futebol corre lado a lado com a da “dança das cadeiras”, provando que uma relação alimentada pelo egoísmo tem prazo de validade.

No tema “Dodu”, ela reivindica a liberdade de imaginar e escolher com quem estar: “Skodji ku ken ku ta sta. Kó mistura energia”.

Esse despertar feminino ganha corpo em “Nka ta Kai mas”, onde ignora as promessas porque “kel tola dja sperta”. É o momento de pensar para onde alguém nos está a levar, recusando as mentiras vindas de “kel boka sabi mo rapaz di hiace”. Estas falsas promessas encontram eco no esperado dueto com Grace Évora em “Mintira”, que nos lembra o diálogo de Mário Marta e Lura em “Aguenta”.

O álbum completa-se com a busca pelo equilíbrio e o resgate das raízes. Em “Somam”, Elida pede o homem que a acrescente e lhe dê “mimo”, lembrando que, mesmo sendo valente e empoderada, tem esse direito. Já “Kumbosa”, apesar de não ser autoral é uma canção ligada às temáticas do álbum e expressa o “fastio” de homens que, em vez de saírem de uma relação, colecionam mulheres e promovem brigas e perdas de dignidade: “N’bisti nha shortinha… Kanto n’txiga casa desgraçado ka Djoben”. Por fim, em “Baca Brabu” (feat. Garry), revive-se a tradição de Tchota Suari e Chando Graciosa com uma nova roupagem que marca a nossa infância.

Olhando para SPEDJU, vemos que as 13 faixas são vivências, vividas e consumidas por Elida Almeida. No álbum, que tem como diretor musical Hernâni Almeida e Djô da Silva na produção executiva, as músicas dialogam entre si sobre as várias camadas de relação, e onde a identidade, a maternidade e a tradição se encontram para provar que a nossa verdade é o nosso maior poder.

Elida Almeida e Nancy Vieira “Daddy”

NH’OPINION NA LÍNGUA DI TERRA

Elida Almeida consigui trazenu kusa pa nu debate noz postura de pai, di mai e di omi ku Mudjeris. Tá da pa xinti ma artista de Santiago, Pedra Badejo, vivi ou tivi experiência margos di relacionamento mas é consigui trazi conceitos que independência e empoderamento, ao mesmo tempo ké ta vibra ku tem um Ómi ki ta djudal ser maz e midjor.

N’ta atxa ma escolha de parcerias foi bem skodjedu, vozes que encaixa na dimensão e batimentos que Elida trazenu desde início, foi pena obi el e Garry num música já existente nu tá aguarda és feat em parceria original. NKURTI Álbum na geral, funakous uma sabi mas mi prendem e tokam, como pai, kel simplicidade de mensagem na música Daddy. Claro que temas tá dialoga entre si e por isso mensagem na geral Kamesti futi futi txeu pa tchiga na cada ser pamodi kau klaro kamesti candero.

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Redação Cabo Verde Files

Redação Cabo Verde Files

Profissional de referência na comunicação social cabo-verdiana, conta com um percurso consolidado na cobertura dos principais acontecimentos que moldam as ilhas e a Diáspora. A sua trajetória reflete um compromisso constante com o rigor, a ética e a pluralidade de informação.Ao longo da carreira, integrou redações de prestigiados órgãos de informação nacionais, destacando-se na imprensa escrita, na rádio e na televisão. O seu trabalho abrange a análise da atualidade política, económica e social, além de dar um forte destaque à promoção da rica identidade cultural do arquipélago.Reconhecido pelos seus pares e pelo público pela isenção e capacidade de escuta, o seu contributo estende-se também ao debate sobre a liberdade de imprensa e o desenvolvimento do jornalismo na Lusofonia. Atualmente, mantém uma presença ativa no setor, inspirando as novas gerações de comunicadores no país.

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