Três meses após a sua partida precoce, a 9 de outubro de 2025, vítima de morte súbita em Lisboa, homenageamos neste dia 9 de janeiro o artista cabo-verdiano Romeu di Lurdes. Nascido em Santa Cruz, foi na Cidade da Praia que ‘vingou’ na música, herdando o característico ‘choro cantado’ da sua mãe, Maria de Lurdes. Carlos Manuel Tavares Lopes, licenciado em Gestão de Património Cultural pela Uni-CV, deixou marcas de profundo respeito pela classe musical e um forte compromisso com a mudança social na capital. Com dois álbuns editados, Amoransa (2018) e Korason Abertu (2024), Romeu, um jovem visionário com mais de uma década de carreira, deixou-nos um legado que hoje recordamos com estas 8 curiosidades.

Capa do Primeiro Álbum (2018)
Foto: @Romeu Di Lurdis (Facebook)

“Menos Álcool”, foi o primeiro passo

A sua primeira composição nasceu no Liceu de Palmarejo (Cidade da Praia), no âmbito do concurso “Menos Álcool, Mais Vida”. Foi ali que Romeu começou a usar a música como ferramenta de consciencialização social.

O sacrifício pelo primeiro violão

Aos 18 anos, Romeu recebeu um telemóvel de presente da sua mãe. Movido pela paixão, vendeu o aparelho por “cinco contos” (5.000 CVE) para conseguir comprar o seu primeiro violão, que custava exatamente o mesmo preço. Um investimento que mudaria a sua vida.

Princezito como Inspiração e “irmão”

Romeu via em Princezito uma alma gémea musical pela forma como este resgatava o crioulo profundo e as vivências tradicionais. A admiração resultou numa amizade forte e no dueto memorável presente no álbum Amoransa.

O trampolim do “Talento Strela” (2012)

Embora não tenha vencido o concurso, ser finalista do “Talento Strela” foi o ponto de viragem. Esta visibilidade abriu-lhe as portas de palcos prestigiados como o Kriol Jazz Festival, confirmando-o como uma grande promessa da música cabo-verdiana.

O momento mágico no Parque 5 de Julho

Um dos episódios mais marcantes da sua carreira aconteceu neste parque, quando interpretou o tema “Mudjer”. A ovação de pé do público foi, para ele, a certeza de que a sua mensagem estava a chegar ao coração das pessoas.

Símbolo do Turbante

O uso do turbante tornou-se a sua marca visual. Mais do que estilo, Romeu explicava que o acessório lhe trazia boas energias e uma conexão especial com o universo.

Um “Rebelde Digital” pela valorização da arte

Descontente com o baixo retorno financeiro das plataformas de streaming após o álbum Amoransa, Romeu decidiu radicalizar no lançamento de Korason Abertu (2024). Optou por vender diretamente aos fãs através de contacto bancário, educando o público sobre o verdadeiro valor do trabalho artístico.

Ambição Política e o sonho de ser Ministro

Carlos Manuel Tavares Lopes sempre demonstrou forte compromisso com a causa pública. Foi candidato à Presidência da Câmara Municipal da Praia pelo PTS( partido do trabalho e solidariedade) nas Autárquicas de 2024 e assumiu o desejo de ser Ministro da Cultura de Cabo Verde, com o objetivo de transformar a política cultural e valorizar os artistas e as tradições do país.

Romeu di Lurdis & Princezito
Foto: @Romeu Di Lurdis (Facebook)

Fonte: Radiodia, Radioalfa, CulturadeCaboVerde, Recorddnos

About The Author