Há um movimento a preparar-se no coração da cidade da Praia. Entre os dias 30 de abril e 15 de maio, a Praça Luís de Camões deixa de ser apenas um ponto de passagem para se tornar o palco da I Feira Internacional do Livro. Sob o lema “Atlântico Literário: Cabo Verde como Ponte entre Continentes”, o evento promete reunir um exército de escritores, editores, bibliotecas e artistas num esforço ambicioso para posicionar o nosso país no mapa global.

A homenagem a Amílcar Cabral serve de bússola moral a este esforço, mas a dúvida que paira é inevitável: será este evento o início de uma mudança real no acesso ao livro, ou apenas uma montra passageira?
Reunir instituições, artistas e livrarias durante dezasseis dias é um passo, mas o verdadeiro teste não está no que acontece na Praça, mas no que acontece depois de as tendas serem desmontadas. Para que esta “ponte” entre continentes não seja apenas uma construção de curto prazo, a feira precisa de provar que não veio apenas para cumprir agenda, mas para transformar o mercado editorial e os hábitos de leitura que, hoje, ainda lutam para sobreviver.
Fonte: @Balai.cv
Edição e Adaptação: Cabo Verde Files