Se hoje o funaná é dançado e aplaudido nos quatro cantos do mundo, deve-se em grande parte ao Bulimundo. Fundado no final da década de 1970 a ilha de SantiagoClicar para abrir o painel lateral e ver mais informações, este grupo lendário desafiou o conservadorismo musical da época e tirou o funaná das zonas rurais e da clandestinidade, injetando-lhe guitarras elétricas, teclados, baixo e bateria.

- Nome do Coletivo: Bulimundo
- Ano de Fundação: 1978
- Origem: Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde
- Géneros Principais: Funaná Eletrónico, Coladeira, Batuku
- Membros Fundadores Principais: Katchás (Carlos Alberto Martins), Zeca di Nha Reinalda, Mendes, Silva, Patrick, Nonó.
Biografia e Percurso Musical
O Nascimento de uma Revolução
Até ao final dos anos 70, o funaná era um género musical marginalizado pelas elites urbanas e pela administração colonial portuguesa, sendo tocado quase exclusivamente no interior da ilha de Santiago com gaita (acordeão) e ferro (ferrinho).
Tudo mudou quando o genial guitarrista e compositor Carlos Alberto Martins, mais conhecido por Katchás, decidiu formar o Bulimundo. A ideia era revolucionária: adaptar os ritmos rápidos e as estruturas melódicas do funaná tradicional aos instrumentos de uma banda de pop-rock moderna (guitarras elétricas, sintetizadores e bateria).
A Conquista das Ilhas e do Mundo
Com o lançamento do álbum de estreia Bulimundo em 1980, o grupo provocou um autêntico terramoto cultural no arquipélago. A juventude cabo-verdiana rendeu-se imediatamente ao novo som elétrico, dinâmico e carregado de identidade.
O Bulimundo não só modernizou o funaná, como o transformou num símbolo de orgulho nacional e de afirmação cultural no pós-independência de Cabo Verde. O grupo partiu em digressões triunfais pela Europa, Estados Unidos e outros países africanos, abrindo as portas da internacionalização para a música de Santiago.
O Legado e o Regresso aos Palcos
“O Bulimundo não mudou apenas o funaná; mudou a forma como o povo de Cabo Verde olhava para a sua própria cultura rural.” Mesmo após a trágica e prematura morte do mentor Katchás em 1988, que deixou o país em choque, o legado do Bulimundo permaneceu vivo. As suas músicas tornaram-se hinos intemporais que influenciaram todas as gerações seguintes de músicos, desde os Ferro Gaita até aos modernistas da diáspora.
Após um longo hiato, os membros históricos do grupo reuniram-se em 2017 para uma série de concertos de celebração, provando que a energia e o pulsar do Bulimundo continuam tão contagiantes e relevantes como no primeiro dia.
💿 Discografia de Destaque
- 1980 – Bulimundo (Destaques: “Djan da Lança”, “Sentimento”)
- 1981 – Batuco (Destaques: “Ta Lança Prova”)
- 1982 – Compasso Pilon (Destaque: “Compasso Pilon”)
- 1983 – Na Horizon (Destaque: “Dimingo Denxo”)
- 1984 – Batuque e Funaná
🏆 Prémios e Distinções
- Património Cultural Vivo: O grupo é amplamente homenageado pelo Estado cabo-verdiano pelo seu papel crucial na preservação, modernização e divulgação do património musical de Santiago.
- Prémio Carreira (CVMA): Homenageados pelo seu contributo inestimável para a história e evolução da música de Cabo Verde.