Esta terça-feira, 13 de outubro, o futebol cabo-verdiano assistiu ao encerramento de uma era com o anúncio oficial da retirada da seleção nacional de Ianique dos Santos Tavares, conhecido no mundo do futebol como Stopira.
O timing escolhido pelo defesa não podia ser mais simbólico: o anúncio surge exatamente a assinalar um ano sobre um dos dias mais felizes da sua vida a nível desportivo, a inesquecível qualificação de Cabo Verde para o Campeonato do Mundo, conquistada juntamente com o seu país e os seus adeptos. Após 63 internacionalizações com a camisola dos Tubarões Azuis e 18 anos de entrega a defender as cores nacionais, o experiente jogador põe um ponto final numa caminhada recheada de liderança e momentos marcantes.
Ao longo de quase duas décadas, Stopira testemunhou e ajudou a moldar a evolução do futebol cabo-verdiano, transformando-se num símbolo de resiliência, união e orgulho para toda uma nação espalhada pelas ilhas e pela diáspora.
A decisão, anunciada com serenidade e o coração em paz, abre agora espaço para a nova geração que assume o compromisso de continuar a elevar o nome de Cabo Verde. No entanto, o legado deixado pelo capitão continuará a ecoar nos balneários e na memória dos adeptos.
Abaixo, transcrevemos na íntegra a carta de despedida partilhada por Stopira:

“Foram 18 anos a vestir a camisola da nossa seleção. Dizer apenas “18 anos” parece simples, mas só eu sei tudo o que essa caminhada significou para mim. Foram anos de sonhos, sacrifícios, viagens, alegrias, lágrimas, vitórias, derrotas e, acima de tudo, muito amor por Cabo Verde.
Ainda me lembro da emoção de vestir esta camisola pela primeira vez. Naquele momento, talvez não imaginasse tudo o que estava por vir. Não imaginava quantas vezes teria a oportunidade de representar a nossa bandeira, ouvir o nosso hino e sentir o orgulho de entrar em campo sabendo que, naquele momento, eu não jogava apenas por mim — jogava por um país inteiro.
Ao longo destes anos, cresci como jogador, mas principalmente como homem. A Seleção deu-me momentos que levarei comigo para o resto da minha vida. Deu-me irmãos, amizades para a vida, ensinamentos e memórias que ninguém poderá apagar.
Também houve momentos difíceis. Derrotas que doeram, jogos em que queríamos dar mais, momentos em que as coisas não saíram como sonhávamos. Mas mesmo nesses momentos, nunca deixei de sentir orgulho de ser cabo-verdiano e de poder representar a minha terra.
Hoje, tomo esta decisão muito tranquilo que chegou o momento certo pra isso , mas também com paz no coração. Sinto que chegou o momento de fechar este capítulo enquanto jogador da Seleção e deixar espaço para aqueles que vêm a seguir.
Quero agradecer a todos os treinadores, companheiros, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, funcionários e a todas as pessoas que fizeram parte desta caminhada. Cada um deixou uma marca na minha história.
E quero deixar um agradecimento especial ao povo cabo-verdiano. Obrigado por cada palavra de apoio, por cada mensagem, por cada abraço, por cada crítica que me fez crescer e, sobretudo, por terem acreditado em mim durante todos estes anos.
Aos meus companheiros e amigos que continuam a defender esta camisola, desejo-vos toda a força do mundo. Continuem a lutar, a acreditar e a representar Cabo Verde com o mesmo orgulho que senti em cada jogo um grande abraço a todos.
Eu saio da Seleção, mas Cabo Verde nunca sairá de mim.
Foram 18 anos. Uma vida de memórias. Uma camisola que carregarei para sempre no coração.”
Obrigado, Cabo Verde.
Obrigado Tubarões Azuis
Obrigado por me permitirem servir o meu país.🇨🇻💙
Com orgulho e gratidão, Stopira2🇨🇻

Fonte: @Stopira [Facebook]
Edição e Adaptação: Cabo Verde Files





