Conheça a história de Gregório Vaz, o lendário Codé di Dona, que com a sua gaita e o seu ferro imortalizou os ritmos de Santiago e tornou-se um símbolo da resistência cultural cabo-verdiana.

DADOS GERAIS
| Campo | Conteúdo |
| Nome completo | Gregório Vaz |
| Nome artístico | Codé di Dona |
| País de origem | Cabo Verde (Chaminé, São Domingos, Santiago) |
| Géneros | Funaná, Batuku |
| Instrumento | Gaita (Acordeão), Ferro, Vocal |
| Estado | Falecido (1940 – 2010) |
Biografia: A Voz da Chaminé
Nascido em 1940, na localidade de Chaminé, Codé di Dona viveu a maior parte da sua vida na Praia, mas nunca perdeu a ligação às raízes rurais. Durante décadas, trabalhou como guarda e agricultor, mantendo o Funaná vivo numa época em que o género era proibido ou marginalizado pelas autoridades coloniais.
Autodidata, Codé não apenas tocava; ele era um cronista do quotidiano. As suas letras narravam a seca, a emigração, o amor e as lutas do povo Badiu. Só muito tarde na vida, já na década de 90, é que o seu talento foi reconhecido a nível global, permitindo-lhe gravar discos que hoje são relíquias da world music.
A Revolução da Gaita e Ferro
Enquanto Katchás eletrificou o Funaná, Codé di Dona era o guardião da pureza acústica. O seu estilo de tocar gaita era único, caracterizado por uma velocidade e uma síncope que poucos conseguiam imitar. Ao lado do seu filho, que o acompanhava no ferro, formou uma das duplas mais icónicas da história da música africana.
Melhores Parcerias e Influência
Codé di Dona influenciou todos os que vieram depois, desde os puristas aos inovadores:
- Bulimundo (Katchás): Beberam diretamente das composições de Codé para criar o Funaná eletrónico.
- Simentera (Mário Lúcio): Ajudaram a projetar a imagem de Codé como um mestre da tradição.
- Lura: Interpretou “Fitiço di Funaná”, uma das composições mais famosas de Codé, dando-lhe uma roupagem moderna que correu o mundo.
Prémios e Reconhecimento
O reconhecimento de Codé di Dona chegou como uma homenagem a uma vida inteira de dedicação à cultura:
- Homenagem do Governo de Cabo Verde: Reconhecido como um dos pilares da cultura nacional.
- Sucesso na Europa: Realizou digressões por França, Portugal e outros países europeus, onde foi recebido como uma lenda viva da música étnica.
- Património Vivo: A sua canção “Febre de Funaná” é considerada um clássico absoluto e obrigatório no repertório de qualquer gaiteiro.
Músicas Emblemáticas (Compositor/Intérprete):
Nota Biográfica
Codé di Dona faleceu no dia 5 de janeiro de 2010, na Praia, aos 69 anos. Deixou um legado que vai muito além das notas musicais: ele provou que a dignidade de um povo está na preservação da sua memória e dos seus ritmos mais profundos. Hoje, a sua imagem com a gaita ao peito é um dos ícones mais fortes da ilha de Santiago.
O Funaná de Codé di Dona é a alma de Santiago. Já teve a oportunidade de ouvir o som autêntico da sua gaita? Partilhe a sua experiência connosco!