Existem artistas que cantam a cultura de um povo, e existem artistas que são a própria cultura. Existem artistas como Ntóni Denti d’Oru (António Vaz Cabral, 1926–2018) que pertencem a este segundo grupo. Natural de São Domingos, na ilha de Santiago, este mestre do Finason não precisou de livros para escrever a história de Cabo Verde; ele usou a sua voz profunda, o improviso afiado e um carisma que atravessou fronteiras.
Conhecido pelo seu inconfundível sorriso metálico e pela autoridade com que liderava os terreiros de Batuque, Ntóni foi mais do que um músico: foi um embaixador da ancestralidade cabo-verdiana. Entre o trabalho duro na emigração e os palcos internacionais, ele manteve-se fiel à raiz.
Abaixo, mergulhamos no legado deste mestre com algumas curiosidades e factos sobre uma Lenda Imortal.

NOME COMO “INVESTIMENTO”
Em 1974, enquanto vivia em Portugal e trabalhava numa fábrica de cimento, António Vaz Cabral teve de extrair vários dentes. Estes foram substituídos por próteses de ouro, uma prática comum na época, o que acabou por dar origem à alcunha que o imortalizou: Ntóni Denti d’Oru.






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