Djoek não é apenas um nome na história; ele é a raiz de um movimento que hoje domina palcos, mas que começou com a sua coragem de rimar na língua do coração. Quando o álbum “Nada Mi N’Katen” surgiu em 1996, ele não estava apenas a lançar um disco; estava a dar voz a uma identidade que muitos tentavam silenciar, provando que o crioulo possuía uma métrica e uma força poética imbatíveis dentro do hip hop. Valorizar o seu percurso é entender que, antes da explosão atual do rap luso-cabo-verdiano, houve um homem que ousou ser o primeiro a dizer “presente” com o sotaque das ilhas num trabalho de longa duração.
“Na altura era difícil gravar um álbum, ainda por cima em crioulo. As pessoas diziam: ‘Estamos em Portugal, temos de cantar em português”
Numa época em que o mercado musical era ainda mais fechado e as barreiras linguísticas serviam de exclusão, Djoek utilizou o microfone como uma ferramenta de afirmação cultural e social a partir da Cova da Moura. O seu contributo vai muito além do ritmo; ele trouxe a vivência dos bairros, a resistência da imigração e o orgulho das origens para o centro do debate musical em Portugal. Celebrar este nome é impedir que o tempo apague a importância de quem desbravou o mato para que outros pudessem caminhar hoje em estrada asfaltada, mantendo viva a memória de clássicos como “Amigrimi”, que ainda hoje ressoam como hinos de uma geração.
Relembrar Djoek é um ato de justiça contra o esquecimento e um tributo à longevidade de uma cultura que se renova sem perder de vista os seus iniciadores. Mesmo perante a multidão de novos nomes que surgem todos os dias, o eco do primeiro rapper a gravar um álbum em crioulo em solo português permanece como uma bússola. Ao destacar Djoek, o Cabo Verde Files reafirma que a modernidade da nossa música só é sólida porque houve quem, como ele, tivesse a visão de colocar a primeira pedra.

@Djoektudodjamtene [Facebook]
Fonte: Entrevista ao @rimasebatidas
Edição e Adaptação: Cabo Verde Files