As legislativas de ontem (17 de Maio) ditaram uma mudança profunda no rumo político do país, com o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) a celebrar um regresso triunfante ao poder após dez anos na oposição. Numa noite eleitoral renhida, cujo desfecho só ficou totalmente clarificado com a contagem dos votos na diáspora, especialmente no círculo das Américas, o líder do partido, Francisco Carvalho, proclamou uma vitória com maioria absoluta. O recado das urnas foi recebido como uma mensagem clara de que os cabo-verdianos desejavam uma nova perspetiva para a construção do futuro.

Os dados estatísticos provisórios confirmam o cenário de reviravolta: o PAICV garantiu a liderança do parlamento ao alcançar cerca de 46,6% dos votos, o que se traduz na eleição de 37 deputados para a Assembleia Nacional — mais sete mandatos do que os conquistados no escrutínio anterior. Por sua vez, o Movimento para a Democracia (MpD), que governava o arquipélago desde 2016, não conseguiu atingir os objetivos traçados e ficou-se pelos 43,7% dos sufrágios, retendo 33 deputados, o que representa uma perda de quatro assentos parlamentares. A fechar a representação na Assembleia Nacional, a UCID assegurou dois deputados, menos dois do que os quatro que detinha anteriormente. Perante esta derrota, o atual primeiro-ministro e presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, assumiu as responsabilidades políticas e anunciou a sua demissão da liderança do partido.
Apesar do entusiasmo e da festa que tomou conta da sede do PAICV na cidade da Praia, a jornada eleitoral ficou marcada por uma nota de forte preocupação democrática: a abstenção atingiu o valor histórico mais elevado de sempre no país, fixando-se nos 53,3%. Este número representa um aumento de dez pontos percentuais face às legislativas de 2021, demonstrando que mais de metade dos 416.300 eleitores inscritos preferiu não exercer o seu direito de voto. Ainda assim, com o mapa político redesenhado, Francisco Carvalho já garantiu que o futuro governo será mais contido, prometendo cortar nas gorduras do Estado através de um executivo com muito menos membros, focado em cumprir bandeiras sociais como a gratuitidade do ensino universitário público e da saúde.
Em atualização…
Fonte: @expressodasilhas @publico
Edição e Adaptação: Cabo Verde Files