Cabo Verde amanheceu com o coração mais pesado. Faleceu este sábado, 29 de Agosto, nos Estados Unidos, Carlos Alberto Pereira Lopes, eternizado no coração do povo como Bino Branco. Aos 56 anos, o músico não resistiu a uma dura e prolongada batalha contra o cancro, doença com a qual lutava desde 2025.
A sua partida deixa um vazio imensurável na cultura nacional, mas a sua trajetória fica gravada como uma das mais bonitas páginas de resistência e amor à música de Santiago.

Carlos Alberto Pereira Lopes (1969–2026)
Do Apelo das Noites à Revolução do Funaná
Antes de se tornar uma referência global, Bino construiu o seu caminho com humildade e paixão. Destacou-se na juventude como vocalista do Grupo Djassi e, após a sua dissolução em 1991, manteve viva a sua veia artística nas noites da ilha Brava.
Mas o momento que mudaria para sempre a história da música cabo-verdiana deu-se em 1996. Numa época em que os teclados eletrónicos dominavam o panorama musical, Bino Branco juntou-se a Eduino (Estevão Tavares) para fundar o Ferro Gaita. A missão era ambiciosa: devolver o protagonismo ao ferrinho e à gaita e resgatar a sonoridade tradicional do funaná.
Com o lançamento do icónico álbum “Fundu Baxu” em 1997, o grupo não só alcançou um sucesso estrondoso na terra e na diáspora, como liderou um verdadeiro renascimento cultural.
A Marca de uma Vida Entregue à Tradição
Ao longo de mais de três décadas de carreira, Bino fez do metal e do ritmo a sua linguagem:
O Ícone do Ferrinho
A imagem de Bino Branco ficou para sempre associada ao instrumento. A sua forma única de o tocar e a sua voz inconfundível devolveram a dignidade ao ritmo tradicional.
Sete Álbuns e o Mundo
Com o Ferro Gaita, participou na gravação de sete álbuns originais, levando a alma de Cabo Verde a palcos da Europa, África e América.
Espírito Incansável
Além da sua carreira a solo e das colaborações com diversos artistas, manteve-se até aos últimos dias focado na promoção da identidade de Santiago.
A Última Batalha e o Legado Eterno
A luta contra a doença remeteu Bino aos Estados Unidos para tratamentos, longe do calor do público, mas acompanhado pela dignidade com que sempre viveu. Combateu com a mesma garra com que subia aos palcos, demonstrando uma resiliência exemplar até ao fim.
Hoje, a música cabo-verdiana perde um dos seus pilares mais autênticos. Mas o silêncio que agora se faz sentir é apenas aparente: o legado de Bino Branco continuará bem vivo, ecoando em cada batida de ferrinho e na alma de todos os cabo-verdianos.





