A história de Cabo Verde é feita de solos áridos, mas de espíritos férteis em coragem. Entre as figuras que moldaram a identidade da nação, destaca-se uma mulher cuja voz ecoou mais forte que as estruturas coloniais: Ana da Veiga.
Em 1910, o interior da Ilha de Santiago foi palco da Revolta de Ribeirão Manuel. No centro deste turbilhão estava Ana da Veiga, a eterna Nhanha Bombolom. O conflito estourou quando os “morgados” (grandes proprietários de terras) acusaram as mulheres da região de assaltarem as propriedades para colher a purgueira — um fruto essencial para a fabricação de sabão na Europa e base da sobrevivência local. Perante a exploração desumana e a prisão das suas companheiras, Nhanha organizou o povo.
Sob o lema de união absoluta — “Aqui não há negro, não há branco, não há rico, não há pobre… somos todos iguais!” — ela comandou uma marcha histórica até a Prisão de Cruz Grande. A mobilização foi um retrato da força comunitária: homens armados de facas, mulheres com machados e crianças a juntar pedras (“Omi faca, mudjer matchado, mininus tudu ta djunta pedra”).
Este marco de resistência foi resgatado e imortalizado pela genialidade de Orlando Pantera, que na sua composição “Raboita di Rubon Manel” deu alma e melodia à “Stória” desta revolta, obra que mais tarde ganharia o mundo na interpretação de Lura. Hoje, em Ribeirão Manuel (Santa Catarina), uma praça e um monumento com o nome de Ana da Veiga garantem que a coragem desta líder continue a inspirar as novas gerações.

Fonte: @orgulhonacional @cvcultural @portalvozes
Edição e Adaptação: Cabo Verde Files