Quando um intelectual da estatura de José Luís Hopffer Almada volta a sacudir o debate público — exigindo, numa assertiva e muito comentada entrevista, que o ensino do crioulo nas escolas seja tratado como uma urgente emergência nacional —, o reflexo imediato é olhar para a superfície da polémica. Mas reduzir Hopffer Almada ao momento presente seria ignorar a profundidade oceânica de um dos maiores nomes vivos da nossa cultura.
Afinal, estamos a falar de um intelectual total: jurista de formação estrita, ensaísta implacável, ativista cultural histórico e um poeta capaz de convocar nações inteiras dentro de um único verso. Um homem cujo currículo colossal se cruza com a própria espinha dorsal da identidade cabo-verdiana pós-independência.
Para perceber de onde vem esta voz que agora ecoa com tanta firmeza sobre o futuro da nossa língua, vale a pena recuar os passos e descobrir as curiosidades mais fascinantes (e menos contadas) da sua vida:

Jurista, Ensaísta e Ativista Cultural
O homem de muitos nomes (e universos literários)
Se o nome oficial comanda os tribunais e o ensaio, a poesia e a ficção exigem alter-egos. Na escrita poética assina como Nzé de Sant’y Ago, Ezeami di Sant’y Águ, Alma Dofer Catarino ou Erasmo Cabral de Almada. Na ficção veste a pele de Dionísio de Deus y Fonteana, e nos artigos de intervenção cultural assina como Tuna Furtado.
O épico que nasceu na RDA e nunca pára de crescer
O seu icónico poema Assomada Nocturna começou a tomar forma em 1982, no frio de Leipzig (Alemanha), enquanto estudava Direito. O mais curioso? Hopffer Almada tem o hábito literário raro de reescrever, inchar e expandir os seus próprios poemas a cada reedição, transformando memórias antigas de Santa Catarina em novos universos autónomos.
Do gabinete jurídico do Governo à vanguarda cultural
Licenciado pela Universidade Karl Marx e com um percurso académico de elite (três pós-graduações em Lisboa), chegou a liderar o Gabinete de Assuntos Jurídicos do Governo de Cabo Verde. No entanto, o seu verdadeiro motor sempre foi a agitação das letras: esteve na fundação da mítica revista Fragmentos, do suplemento Voz di Letra e da Academia Cabo-Verdiana de Letras.
Raízes de morgadio e barões europeus
Nascido em Pombal (Santa Catarina) “à sombra do sobrado”, a sua linhagem familiar é um autêntico romance histórico. Carrega no sangue um passado que cruza a burguesia rural cabo-verdiana com figuras liberais oitocentistas e até um ascendente exilado na Alemanha dos séculos XVII e XVIII condecorado como barão Von Hopffer.
O guardião incansável da Língua Materna
À frente da Associação da Língua Materna, a sua atual cruzada não é acidental. Para quem dedicou décadas a pensar a cabo-verdianidade, lutar para que o crioulo e o português convivam sem complejos e entrem no sistema de ensino é a etapa máxima de uma vida inteira dedicada a fazer ouvir a voz de Cabo Verde.
Quer aprofundar e ler tudo na íntegra? Pode (e deve) consultar a entrevista completa de José Luís Hopffer Almada à Inforpress aqui 👇🏾
https://www.inforpress.cv/pt/jose-luis-hopffer-c-almada-considera-ensino-da-lingua-cabo-verdiana-uma-emergencia-nacional






