Denise Fernandes é uma realizadora de origem cabo-verdiana que cresceu na Europa com a inquietação de ver o arquipélago frequentemente invisibilizado nos mapas culturais globais. Decidida a reverter esse apagamento através da sétima arte, a cineasta assumiu a missão de colocar a identidade, as paisagens e as vivências de Cabo Verde no centro do ecrã e do debate cinematográfico contemporâneo.
A consolidação desta visão materializou-se em Hanami, a sua longa-metragem de estreia rodada na impressionante paisagem vulcânica da ilha do Fogo, com um elenco maioritariamente composto por atores não profissionais locais. Falado em crioulo cabo-verdiano, o filme narra a história de Nana, uma jovem que aprende a fincar raízes e a permanecer numa terra de onde a maioria tenta partir, abordando as dores e as poéticas da insularidade, da migração e dos laços familiares.

A trajetória de Hanami traduz-se num percurso global de consagração: depois da estreia mundial no Festival de Locarno — onde Denise venceu o Prémio de Melhor Realizadora Emergente —, a obra conquistou o Ingmar Bergman International Debut Award na Suécia, o Roger Ebert Award em Chicago, a Montgolfière d’Or em Nantes e o prémio de Melhor Fotografia no FESPACO. Com a recente chegada aos cinemas franceses após passar por dezenas de festivais e salas em Portugal e Cabo Verde, o filme afirma-se como um verdadeiro fenómeno de circulação internacional, consagrando Denise Fernandes como uma das vozes mais fulgurantes da nova vaga do cinema diaspórico e lusófono.

Denise Fernandes | Nascida em Lisboa (1990) e de origens cabo-verdianas, a realizadora formou-se entre a Suíça (CISA) e Cuba (EICTV).
Com um percurso marcado por curtas aclamadas como Una Notte, Pan Sin Mermelada e Idyllium, conquistou em 2024 o prémio de Melhor Realizadora Emergente no Festival de Locarno com a sua longa-metragem Hanami, e em 2025 o prestigiado Prémio Ingmar Bergman no Festival de Cinema de Gotemburgo.




